A artesania incorpora a portabilidade do saber, a pequena escala da produção da produção e a interseção obrigatória com um ponto de vista e um modo de fazer personalizados.
Boaventura de Sousa Santos emprega o termo artesania das práticas para designar os saberes que podem ser detectados através da sociologia das ausências e da sociologia das emergências, ou seja:aqueles saberes que não fazem parte do conhecimento hegemônico exalado pelos centros mundiais de poder - poder científico excludente, poder de dominação econômica, poder de colonização cultural. A artesania das práticas localiza-se em campos não epistemológicos no sentido convencional do termo, ou seja, em lugares distintos daqueles tais como universidades e centros de pesquisa científica.
Artesania da prática geográfica.
Experiência da vida cotidiana.
A arte inscreve na cultura modos de olhar o mundo, discursos que trabalham na infinita tarefa de indagação, tradução e imaginação do espaço.
Para Edgar Morin, o estudo da arte ensina a viver, pois ela funciona como escola de expressão do sujeito, escola da qualidade poética da vida, escola da descoberta de si, escola da consciência da complexidade da vida e escola da compreensão da natureza humana.
Espaços produzidos pela arte, aqueles que propõem uma ruptura do homem com a sua tradição temporal e espacial.
Boaventura de Sousa Santos inventa uma territorialidade que interliga o físico e o social. Geografia sociológica. Geografia coexistente.
Figuras-visitantes observadores do mundo.
Nada ali é estático. O aqui e o além coexistem em cena.
Um trânsito de temporalidades.
Quadros dentro do quadro.
A fotografia como instrumento técnico de captura da paisagem.
"Nos primeiros anos do século XX, a prática dos travel logs, registros oficiais que gravavam os eventos ocorridos durante uma viagem de navio ou avião, junto à prática das gravações etnográficas de campo, deram origem ao termo travelogue. Monólogo de viagem, diário de bordo. Pouco depois, os travelogues abandonaram o seu caráter de registro objetivo e introduziram pequenas intromissões descritivas, transformando lugares ordinários em extraordinários. Hoje, chamamos travelogue a um registro ilustrado de viagem, a um álbum pessoal de itinerários, a uma aproximação entre a literatura, a arquitetura, as artes visuais e a geografia. O antigo monólogo de viagem transforma-se em diálogo, em convite à navegação.
Uma coleção é um espaço aberto, prestes a incorporar novos elementos. Uma coleção nunca se dá por concluída.
Rastro de expedição.
Inventários espaço-temporais.
Inventários em processo cuja feitura é a viagem.
Registros de viagem, desenhos e mapas, retraçando o seu itinerário.
Espaço como coexistência.
Ato de habitar o espaço da descoberta.
"O que era a paisagem para os modernos e o que nos deixaram como herança? A modernidade construiu e institui a noção de paisagem-objeto, um tipo de paisagem que se olha, se usa e se explora, porém com o qual jamais se estabelece uma relação de igualdade. Olha-se: a paisagem é contemplada nesse peep-show paisagístico desenhado tantas vezes por Le Corbusier; um senho - o homem ripo - sentado e a janela enquandrado as sensuais curvas da topografia do Rio de Janeiro. Uma posição asséptica, estática e contemplativa, que materializa um domínio sem possessão".
"A câmera: máquina de captura, meio de transporte da imagem, caixa ilusionista, lugar onde finalmente me refugio como um olhar externo a mim mesma. No vídeo-documentário, ela é o veículo de tradução do espaço vivido. Entretanto, há um problema. A simples presença da câmera já estabelece uma distância, duas territorialidades e uma linda de fronteira. A distância define as duas territorialidades: somos seres do lado de fora e a espontaneidade do contato fica ameaçada pelo dispositivo de captura. A fronteira, por sua vez, é a linha incerta da tela da câmera onde tudo pode acontecer e ao mesmo tempo tudo pode se perder: a vivência navegará por meios técnicos e será transformada - ou reduzida - finalmente em imagem". (Renata Marquez).
Para Edgar Morin, o estudo da arte ensina a viver, pois ela funciona como escola de expressão do sujeito, escola da qualidade poética da vida, escola da descoberta de si, escola da consciência da complexidade da vida e escola da compreensão da natureza humana.
Espaços produzidos pela arte, aqueles que propõem uma ruptura do homem com a sua tradição temporal e espacial.
Boaventura de Sousa Santos inventa uma territorialidade que interliga o físico e o social. Geografia sociológica. Geografia coexistente.
Figuras-visitantes observadores do mundo.
Nada ali é estático. O aqui e o além coexistem em cena.
Um trânsito de temporalidades.
Quadros dentro do quadro.
A fotografia como instrumento técnico de captura da paisagem.
"Nos primeiros anos do século XX, a prática dos travel logs, registros oficiais que gravavam os eventos ocorridos durante uma viagem de navio ou avião, junto à prática das gravações etnográficas de campo, deram origem ao termo travelogue. Monólogo de viagem, diário de bordo. Pouco depois, os travelogues abandonaram o seu caráter de registro objetivo e introduziram pequenas intromissões descritivas, transformando lugares ordinários em extraordinários. Hoje, chamamos travelogue a um registro ilustrado de viagem, a um álbum pessoal de itinerários, a uma aproximação entre a literatura, a arquitetura, as artes visuais e a geografia. O antigo monólogo de viagem transforma-se em diálogo, em convite à navegação.
Uma coleção é um espaço aberto, prestes a incorporar novos elementos. Uma coleção nunca se dá por concluída.
Rastro de expedição.
Inventários espaço-temporais.
Inventários em processo cuja feitura é a viagem.
Registros de viagem, desenhos e mapas, retraçando o seu itinerário.
Espaço como coexistência.
Ato de habitar o espaço da descoberta.
"O que era a paisagem para os modernos e o que nos deixaram como herança? A modernidade construiu e institui a noção de paisagem-objeto, um tipo de paisagem que se olha, se usa e se explora, porém com o qual jamais se estabelece uma relação de igualdade. Olha-se: a paisagem é contemplada nesse peep-show paisagístico desenhado tantas vezes por Le Corbusier; um senho - o homem ripo - sentado e a janela enquandrado as sensuais curvas da topografia do Rio de Janeiro. Uma posição asséptica, estática e contemplativa, que materializa um domínio sem possessão".
"A câmera: máquina de captura, meio de transporte da imagem, caixa ilusionista, lugar onde finalmente me refugio como um olhar externo a mim mesma. No vídeo-documentário, ela é o veículo de tradução do espaço vivido. Entretanto, há um problema. A simples presença da câmera já estabelece uma distância, duas territorialidades e uma linda de fronteira. A distância define as duas territorialidades: somos seres do lado de fora e a espontaneidade do contato fica ameaçada pelo dispositivo de captura. A fronteira, por sua vez, é a linha incerta da tela da câmera onde tudo pode acontecer e ao mesmo tempo tudo pode se perder: a vivência navegará por meios técnicos e será transformada - ou reduzida - finalmente em imagem". (Renata Marquez).