Que histórias seus pés contam?

CIDADE NÔMADE

FUGIDIAS VISIBILIDADES: O QUE A VISTA ALCANÇA?

Experiência que permite construir outra lente, outro modo de olhar a cidade que implique tempo e espaço na experiência do movimento. Engajamento dos sujeitos ambulantes em uma cartografia ao nível do chão, em movimento e em contato com o outro. Cartografia do movimento que co-implica tempo e espaço. Sujeitos que carregam em comum o fato de realizarem suas atividades cotidianas em movimento. Ruas como campo de investigação. Modo de operar na cidade, sem delinear seus contornos ou estabelecer seus limites. Transpor esses contornos. Não seria o caso de buscar outros espaços, mas investir em outras possibilidades de investigação dos mesmos espaços, das mesmas dinâmicas, mas com outras lentes, escapando às categorias sedimentadas e recorrendo à construção incessante de novas ferramentas de ação. 

Os filósofos Deleuze e Guattari propõem que a existência nômade realiza um modo singular de se relacionar com o espaço que não seria simplesmente o movimento de vagar sobre a terra ad infinitum. Haveria, segundo os autores, uma distinção entre um caminho sedentário que "consiste em distribuir aos homens um espaço fechado, atribuindo a cada um sua parte, e regulando a comunicação entre as partes" e um trajeto nômade que, ao contrário, "distribui os homens num espaço aberto, indefinido [...]". Assim, o modo sedentário, segundo a lógica de Estado, seria a do "estriamento" do espaço por muros, cercados e caminhos entre os cercados; pela subordinação dos fluxos a condutos onde se pode controlar os movimentos; "fazer valar uma 'zona de direitos' sobre todo um exterior". O modo nômade, por sua vez, alisa o espaço, que fica "marcado apenas por traços que se apagam e se deslocam com o trajeto". Num caso "mede-se o espaço a fim de ocupá-lo" e no outro "ocupa-se o espaço sem medi-lo". 

Experiência eminentemente corporal de um movimento que tece relações menos mediatizadas com o espaço. Corpo que se estende, se prolonga para além dos limites físico-corpóreos. Experiência intensiva. Para o geógrafo, os "homens lentos", por experimentarem a cidade, aparentemente de forma menos encapsulada, com menor mediação, "acabam sendo mais velozes na descoberta do mundo" (Milton Santos). 

Poder percorrer e esquadrinhar a cidade. Encontrar uma autonomia relativa para criar suas próprias entradas e saídas no jogo de forças do espaço urbano. 

Uma nomadologia pressupõe o nômade, enquanto sujeito da ação. O sujeito encontrado nessa investigação habita a cidade contemporânea com todos os seus paradoxos. Pensar na figura do andarilho. 

Direção dos muitos campos existentes na cidade: "memória histórica".

"Outro" social ou cultural.

Artista nômade.

A paisagem abrange o conjunto de modos de apresentação artística do visível do mundo. 

Herança do espírito exploratório da modernidade.