NENHUM OLHAR É NEUTRO
Este trabalho funde a estratégia do retrato com a cartografia. O retrato, sem perder as suas inerentes atribuições de identidade, é posto à operar como um atlas, instância cuja função é o registro espacial. Nele o ambulante não é uma abstração ou idealização nem é o sujeito anônimo comum: ele tem nome, endereço e itinerários específicos. É possuidor de modos de fazer e conhecimentos espaciais únicos. Conhecedores e observadores privilegiados da cidade.
Este trabalho funde a estratégia do retrato com a cartografia. O retrato, sem perder as suas inerentes atribuições de identidade, é posto à operar como um atlas, instância cuja função é o registro espacial. Nele o ambulante não é uma abstração ou idealização nem é o sujeito anônimo comum: ele tem nome, endereço e itinerários específicos. É possuidor de modos de fazer e conhecimentos espaciais únicos. Conhecedores e observadores privilegiados da cidade.
Chão urbano é formado pelas histórias de 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10, por suas cartografia singulares da cidade de Vitória, capital do Estado do Espírito Santo (Cartografia do Movimento) e, também por imagens registradas por eles na cidade (Itinerários), um inventário dos seus instrumentos de trabalho (Equipamentos), produtos que comercializam (Produtos), bem como seus relatos. Os vendedores ambulantes mencionados aqui são de fato ambulantes. Não constituem pontos, mas percursos.
"Antônio, Osmar, Robson, Jefferson e Agnaldo foram os cinco ambulantes Que, nesta ordem, tornaram-se coautores do Atlas Ambulante. Esses caminhantes tão distantes de uma vida mecanizada nos mínimos detalhes, carregam habilidades como fazer biscoitos, amolar tesouras, fabricar pirulitos, produzir algodão doce ou tecer a palha é restaurar móveis antigos. Ofícios artesanais que podem ser considerados em situação de rarefação e ameaça de extinção pela modernização dos processos.
Elaborar mapas que sejam capazes de registrar e criar uma imagem da experiência particular e da perspectiva multifacetada da cidade que passamos a conhecer através da convivência com os ambulantes é uma retificação cartográfica necessária para que percebamos a cidade no seu viés informe, no seu caráter público e nas suas potencialidades. Está coleção de personagens que são os protagonistas da cidade no âmbito das ruas articula uma cidade oficial - correspondente a uma ordem projetada (o espaço concebido) - com uma cidade cotidiana (o espaço vivido), através das suas práticas singulares (o espaço percebido).
Sujeito-observador.
Sujeito-observador.
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