Que histórias seus pés contam?

ITINERÁRIOS

NARRATIVAS CARTOGRÁFICAS


Este trabalho explora a ideia de movimento como desvio na cidade a partir das práticas cotidianas de sujeitos ambulantes - indivíduos que trabalham, habitam, se expressam ou simplesmente se deslocam pelas ruas de maneira marginal (ou marginalizada). As ruas, espaços de movimento e públicos, são tomadas como campo de investigação, especialmente as ruas centrais, vistas aqui não como o lugar do encontro, mas da colisão entre as forças variadas que povoam os processos urbanos contemporâneos. Em meio às colisões e atravessamentos de práticas, modos de ocupar, lentidão e aceleração de trajetórias heterogêneas, emerge na rua um intenso campo de disputas quanto aos usos e significados dos espaços da cidade. Tais circunstâncias podem ser pensadas como instauradoras de um estado de rua, portador de características, ou potências, que conferem especificidade a essa experiência urbana própria à complexidade da metrópole. O trabalho empreende então um percurso teórico e prático, experimentando uma lente - a cidade nômade - como um modo de ver a cidade e o próprio movimento como ferramenta metodológica, a fim de qualificar este estado de rua que teria como características fundamentais a construção de um espaço de disputa - a sarjeta - e o exercício de uma política de rua, distinta daquela política elevada à esfera de governo. Uma cartografia ao nível do chão, realizada nas ruas de Salvador e Brasília, remontada na forma de narrativas cartográficas, é o instrumento que deflagra questões e reflexões, apontando limites e desafios éticos e políticos ao campo do urbanismo.